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sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Juro que esta é que é a minha preferida

Depois do interregno de uma semana, eis que Dylan volta, e logo com a minha preferida. Eu sei, eu sei, todas são as minhas preferidas. Mas juro que esta é que é mesmo a minha preferida. Principalmente no dueto com Johnny Cash.

Estamos ainda a falar do álbum Freewheelin' Bob Dylan, onde não sendo um single e sem ter a notoriedade de outras músicas do álbum, este Girl From The North County é a música que mais me entusiasma em Dylan. Okay, em conjunto com muitas outras, mas há qualquer coisa de especial nesta, não sei dizer.

Não encontrei a versão original onde a voz de Dylan é tremenda. Ainda assim se recorrerem ao Spotify encontram a versão perfeitinha.

Sem mais demoras, fica a letra e a música.


"If you're traveling in the north country fair
Where the winds hit heavy on the borderline
Remember me to one who lives there
For she once was a true love of mine.

See from me if her hair hanging long
If it curls and flows all down her breast
See from me if her hair hanging long
That's the way I remember her best.


If you go when the snowflakes fall
When the rivers freeze and summer ends
Please see for me if she's wearing a coat so warm
To keep her from the howlin' winds.

If you're travelin' in the north country fair
Where the winds hit heavy on the borderline
Remember me to one who lives there
She once was a true love of mine.

If you're travelin' in the north country fair
Where the winds hit heavy on the borderline
Remember me to one who lives there
She once was a true love of mine.


True love of mine..."



sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Wintertime in New York town...

Antes de avançar no tempo e na música, e já que o álbum Bob Dylan (1962) tem apenas duas músicas originais, não podia deixar de mencionar Talkin' New York.

Se a voz de Bob Dylan é o que mais me prendeu nas primeiras notas, com o passar do tempo as letras do poeta foram o que fizeram a música continuar a tocar. Em Talkin’ New York Bob Dylan fala da sua chegada a Nova York nos anos 60. Com letra simples mas uma abordagem contagiante, com ritmo falado e precisão descritiva, o músico deixa fluir as suas vivências. Sem a complexidade das letras futuras, Bob Dylan, ainda assim, já provoca o sistema.

Bob Dylan em Nova York (1962)

Now, a very great man once said 
(Referência a Woody Guthrie e a sua música Pretty Boy Floyd)
That some people rob you with a fountain pen
It didn't take too long to find out
Just what he was talkin' about
A lot of people don't have much food on their table
But they got a lot of forks 'n' knives
And they gotta cut somethin'

CAFE WHA? - Um dos locais onde Bob Dylan tocava ao vivo.

A referência e apreço pelo ídolo Guthrie não fica por aí pois a estrutura da música e o seu tema vão ao encontro de “Talkin' Columbia”, um original do músico referência de Bob Dylan.

Quando decidi abraçar a discografia de Dylan, Talkin’ New York ganhou de imediato um lugar especial. Talvez pela honestidade, talvez pela imagem que nos deixa ao ouvi-la, talvez pela forma de expressão, mas muito provavelmente pelo contraste constante entre os versos e a harmónica.


sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Amores à primeira vista

Decidi hoje começar um rubrica semanal - em que Bob Dylan será o protagonista - aqui no estabelecimento. Também em forma de homenagem, como a razão por detrás da música de hoje, chegou a hora de contribuir para o Blog com alguma regularidade. Como tudo na vida, há coisas que fazem sentido quando têm que fazer sentido. Obrigado pelo Blog Telminho.

 Photo Credit: Telmo

Sentado à mesa de madeira. Na mesma que me dava dores infernais de tanto bater com os joelhos nas pontas aguçadas. Pano de fundo, as notícias na televisão. Um nome. Uma memória. Uma sombra no imaginário. Mas onde e quando ouvi eu este nome? Nunca cheguei a dar resposta à curiosidade da pergunta. Mas a mesma curiosidade fez-me pensar e procurar. Puxando o computador para perto, escrevi o nome que tanto me intrigava. Nascia, nesse instante, aquele que viria a ser o meu primeiro - de dois apenas - amor à primeira vista. Neste caso, à primeira nota. Com uma imposição voraz, ao sabor de cada nota, de cada verso. A cada rima que passava entranhava-se, mais e mais. A voz esquisita, que mais tarde Bowie descrevera como “voz de areia e cola” embrenhava-se no ouvido, o vício crescia e com ele, podia lá eu saber nesse dia, viria a transmissão de experiências ao longo de músicas sem fim. A companhia em noites de solidão, a amizade e compressão de quem nunca apertou as mãos emergia ali, naquela mesa que tantas dores me tinha causado.

Não levou muito a que começasse a recolher os poemas em forma de canção. Ouvidos, primeiro por ordem depois com a ordem da disposição, tocam até hoje, sempre que sim e porque sim.

Bob Dylan, 1962

São quase infinitas as músicas que podiam ilustrar este post e também o seu primeiro álbum de estúdio. Escolhi a música de homenagem a uma das suas referências musicais, Woody Guthrie. Com letra de Bob Dylan e música do próprio homenageado, Dylan deixa uma mensagem de agradecimento por tudo o que este fez por ele e pela música Country. Foi no hospital, onde Guthrie residia já há quatro anos, que Dylan fez questão de conhecer o seu ídolo e de lhe tocar a música de homenagem. Tendo encontrado a aprovação de veterano cantor e compositor, a música faria parte do primeiro álbum de Dylan. Uma das duas músicas originais do álbum - Song to Woody.