sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Bob Dylan ao sabor do vento.

Estamos apenas na primeira música do segundo álbum e já Bob Dylan lançava uma obra prima que se viria a tornar maior que ele mesmo. Blowin' In The Wind foi escrita, segundo o próprio autor, em dez minutos e encarna a dúvida existencial. Do homem, da natureza e da sociedade. Sendo um dos dois 'singles' do álbum The Freewheelin' Bob Dylan, este seria o primeiro grande sucesso do cantor. A música viria a ser interpretada por inúmeros artistas ao longo dos anos e simboliza o início da veia poética pela qual Dylan viria a ser conhecido e reconhecido durante os anos vindouros.


How many roads must a man walk down
Before you call him a man
How many seas must a white dove sail
Before she sleeps in the sand
Yes, 'n' how many times must the cannon balls fly
Before they're forever banned
The answer, my friend, is blowin' in the wind
The answer is blowin' in the wind
Yes, 'n' how many years can a mountain exist
Before it's washed to the sea
Yes, 'n' how many years can some people exist
Before they're allowed to be free
Yes, 'n' how many times can a man turn his head
And pretend that he just doesn't see
The answer, my friend, is blowin' in the wind
The answer is blowin' in the wind
Yes, 'n' how many times must a man look up
Before he can see the sky
Yes, 'n' how many ears must one man have
Before he can hear people cry
Yes, 'n' how many deaths will it take till he knows
That too many people have died
The answer, my friend, is blowin' in the wind
The answer is blowin' in the wind

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Wintertime in New York town...

Antes de avançar no tempo e na música, e já que o álbum Bob Dylan (1962) tem apenas duas músicas originais, não podia deixar de mencionar Talkin' New York.

Se a voz de Bob Dylan é o que mais me prendeu nas primeiras notas, com o passar do tempo as letras do poeta foram o que fizeram a música continuar a tocar. Em Talkin’ New York Bob Dylan fala da sua chegada a Nova York nos anos 60. Com letra simples mas uma abordagem contagiante, com ritmo falado e precisão descritiva, o músico deixa fluir as suas vivências. Sem a complexidade das letras futuras, Bob Dylan, ainda assim, já provoca o sistema.

Bob Dylan em Nova York (1962)

Now, a very great man once said 
(Referência a Woody Guthrie e a sua música Pretty Boy Floyd)
That some people rob you with a fountain pen
It didn't take too long to find out
Just what he was talkin' about
A lot of people don't have much food on their table
But they got a lot of forks 'n' knives
And they gotta cut somethin'

CAFE WHA? - Um dos locais onde Bob Dylan tocava ao vivo.

A referência e apreço pelo ídolo Guthrie não fica por aí pois a estrutura da música e o seu tema vão ao encontro de “Talkin' Columbia”, um original do músico referência de Bob Dylan.

Quando decidi abraçar a discografia de Dylan, Talkin’ New York ganhou de imediato um lugar especial. Talvez pela honestidade, talvez pela imagem que nos deixa ao ouvi-la, talvez pela forma de expressão, mas muito provavelmente pelo contraste constante entre os versos e a harmónica.


sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Amores à primeira vista

Decidi hoje começar um rubrica semanal - em que Bob Dylan será o protagonista - aqui no estabelecimento. Também em forma de homenagem, como a razão por detrás da música de hoje, chegou a hora de contribuir para o Blog com alguma regularidade. Como tudo na vida, há coisas que fazem sentido quando têm que fazer sentido. Obrigado pelo Blog Telminho.

 Photo Credit: Telmo

Sentado à mesa de madeira. Na mesma que me dava dores infernais de tanto bater com os joelhos nas pontas aguçadas. Pano de fundo, as notícias na televisão. Um nome. Uma memória. Uma sombra no imaginário. Mas onde e quando ouvi eu este nome? Nunca cheguei a dar resposta à curiosidade da pergunta. Mas a mesma curiosidade fez-me pensar e procurar. Puxando o computador para perto, escrevi o nome que tanto me intrigava. Nascia, nesse instante, aquele que viria a ser o meu primeiro - de dois apenas - amor à primeira vista. Neste caso, à primeira nota. Com uma imposição voraz, ao sabor de cada nota, de cada verso. A cada rima que passava entranhava-se, mais e mais. A voz esquisita, que mais tarde Bowie descrevera como “voz de areia e cola” embrenhava-se no ouvido, o vício crescia e com ele, podia lá eu saber nesse dia, viria a transmissão de experiências ao longo de músicas sem fim. A companhia em noites de solidão, a amizade e compressão de quem nunca apertou as mãos emergia ali, naquela mesa que tantas dores me tinha causado.

Não levou muito a que começasse a recolher os poemas em forma de canção. Ouvidos, primeiro por ordem depois com a ordem da disposição, tocam até hoje, sempre que sim e porque sim.

Bob Dylan, 1962

São quase infinitas as músicas que podiam ilustrar este post e também o seu primeiro álbum de estúdio. Escolhi a música de homenagem a uma das suas referências musicais, Woody Guthrie. Com letra de Bob Dylan e música do próprio homenageado, Dylan deixa uma mensagem de agradecimento por tudo o que este fez por ele e pela música Country. Foi no hospital, onde Guthrie residia já há quatro anos, que Dylan fez questão de conhecer o seu ídolo e de lhe tocar a música de homenagem. Tendo encontrado a aprovação de veterano cantor e compositor, a música faria parte do primeiro álbum de Dylan. Uma das duas músicas originais do álbum - Song to Woody.


Siena Root - We Are Them